sexta-feira, 24 de junho de 2011
Paixões de adolescência. Começam do nada e acabam em nada porque não valem nada, a não ser enquanto duram, às vezes com a vida mais curta do que uma mosca. Paixões impossíveis, que nos tiram o sono e o apetite, nos põem a contar as estrelas e a escrever poemas pirosos, nos fazem rezar mesmo quando já deixámos de ir à missa desde os doze, nos adoçam o coração e o olhar e enchem a almofada de água salgada quando as coisas correm mal, ou pior ainda, não correm.
Margarida Rebelo Pinto
Margarida Rebelo Pinto
quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
Florbela Espanca
Louca
Fui louca quando não tive coragem de me entregar, por medo, vergonha, vaidade, aos sonhos que tive.
Fui louca quando sufoquei as minhas vontades...
Fui louca quando ultrajei a mim mesma me deixando presa aos meus próprios labirintos...
Fui louca quando menti para mim mesma que era feliz!
Fui louca quando acreditei que "Deus queria assim!"
Fui louca quando desacreditei de mim!
Hoje sou louca porque não aceito certas regras...
Sou louca porque consigo me enxergar como sou e me aceito como sou.
Sou louca porque pouco me importa o que os outros pensam!
sou louca porque me apaixonei por mim mesma!
Sou louca porque acredito num Deus que quer a minha felicidade e essa felicidade depende de mim, não dos outros.
Sou louca porque deixei de culpar os outros e a mim mesma pelo meu sucesso ou pelo meu fracasso!
Sou louca porque acredito que tudo é aprendizagem sempre...
Sou louca porque para mim um sonho é uma possibilidade real...
Sou louca porque corro atrás dos meus sonhos.
Sou louca porque me amo acima de tudo!
Simplesmente louca, mas feliz!!
Roziner Guimarães
Fui louca quando sufoquei as minhas vontades...
Fui louca quando ultrajei a mim mesma me deixando presa aos meus próprios labirintos...
Fui louca quando menti para mim mesma que era feliz!
Fui louca quando acreditei que "Deus queria assim!"
Fui louca quando desacreditei de mim!
Hoje sou louca porque não aceito certas regras...
Sou louca porque consigo me enxergar como sou e me aceito como sou.
Sou louca porque pouco me importa o que os outros pensam!
sou louca porque me apaixonei por mim mesma!
Sou louca porque acredito num Deus que quer a minha felicidade e essa felicidade depende de mim, não dos outros.
Sou louca porque deixei de culpar os outros e a mim mesma pelo meu sucesso ou pelo meu fracasso!
Sou louca porque acredito que tudo é aprendizagem sempre...
Sou louca porque para mim um sonho é uma possibilidade real...
Sou louca porque corro atrás dos meus sonhos.
Sou louca porque me amo acima de tudo!
Simplesmente louca, mas feliz!!
Roziner Guimarães
O Amor é:
Brilho nos olhos e intensa alegria na alma...
Sentir o palpitar acelerado do coração só de pensar...
Desejar estar junto, sem reservas, disfarces, cúmplice.
Tocar e ser tocada de tantas formas...
Com palavras, com silêncio, com olhares, dar e sentir prazer.
Não precisar perguntar, nem responder, apenas compreender.
Falar sobre tudo ou não precisar de dizer nada.
Aceitar os defeitos e reconhecer as qualidades.
Compartilhar tempo e espaço.
Recordar o passado, viver o presente
e não pensar no futuro.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Amar
Amar é olhar no fundo dos olhos da pessoa que você ama no momento mais difícil, de sua vida e dizer: -eu estou aqui para te ajudar!
Amar é dizer que o dia esta maravilhoso mesmo quando o mundo esta quase acabando em chuva.
Amar é apoiar o seu amigo mesmo quado ele acaba de fazer a coisa mais errada do mundo.
Amar é bem mais do que dar uma flor a quem se ama, é ficar ao lado dela até a última pétala cair.
Amar é sorrir quando se tem vontade de chorar, apenas para não deixar a sua tristeza transparecer às pessoas que você ama.
Amar é fazer algo por alguém sem esperar nada em troca.
Amar é ter todas as pessoas do mundo e querer apenas uma.
Amar é dizer às pessoas que tanto nos fez sofrer que a perdoa apenas para não vela sofrer também.
Amar é desistir do amor da sua vida apenas por medo de fazê-lo sofrer.
E mesmo assim não desistir de ser feliz.
Angela Maria Foss
Você é a Razão do Meu Viver
Quando percebi já havia tomado conta do meu coração por inteiro, eu estava apaixonada!
Nossos corações em um gesto único de amor profundo uniram-se e juntos formaram um só coração...
Não sei ao certo até quando durará o nosso amor, ou talvez se algum dia poderá vir a a acabar...
Só sei lhe dizer que o momento que estamos vivedo é único e também inesquecível, e isso já vale por tudo o que estamos passando juntos.
Amo-te e desejo que você sempre esteja ao meu lado, do mesmo modo que esteve até hoje.
Não sei definir a quantidade do seu amor, só sei que mesmo que esse amor não chegue a 1% do meu amor por você, já vale a pena, pois esse 1% equivale a 100% da minha felicidade ao estar junto de você e isso já basta!
Nunca, jamais, e em hipótese alguma se esqueça do meu amor verdadeiro por você!
Amo-te.
Amo-te
In http://amo-te.blogspot.com/
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Dançar
Um processo lento, cheio de surpresas e lutas.
A realização de feitos que parecem impossíveis de se concretizar.
Acrobacias que exigem muito mais que horas de treino.
Que só a ousadia tem capacidade de explicar.
Um constante aprendizado para o qual nem sempre acham necessário nos prepararem.
É preciso ter talento.
Saber misturar, em doses certas, força e sensibilidade.
Conhecer limites e capacidades.
Sem temer fracassos.
Amar. Amar-se.
Sem medos.
Corpo e mente em perfeita harmonia.
Essa integração é o segredo da eterna liberdade, que nos permite alcançar voos muito, mas muito maiores.
Isto é dançar!
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca
Amar Não é Ser Egoísta
Tenho a certeza que tu és o meu maior amigo, o mais dedicado, o melhor de todos. Como eu o vi hoje bem! Como tu és leal e bom! Tão diferente de todos os outros homens que para te pagar o que no futuro hei-de dever-te, será pequena a minha vida inteira, mesmo que ela seja imensa. Os outros, amando as mulheres, são como os gatos que quando acariciam, é a eles que acariciam. Amar não é ser egoísta, é tantas, tantas vezes o sacrifício de nós próprios! A dedicação de todos os instantes, um interesse sem cálculo, uns cuidados que em pequeninas coisas se revelam e o pensamento constante de fazer a felicidade de quem se ama.
Florbela Espanca, in "Correspondência (1920)
O Amor é Muito Difícil
José Luís Peixoto, in 'Notícias Magazine (2003)'
O Machismo Português e as Traições Amorosas
"Na gíria portuguesa, os palitos são a versão económica, e mais moderna, dos cornos. Os cornos, à semelhança do que aconteceu com os automóveis e os computadores, tornaram-se demasiado volumosos e pesados para as exigências do homem de hoje. Daí a crescente popularidade dos mais portáteis e menos onerosos palitos. Contudo, visto que se vive presentemente um período de transição, em que os novos palitos ainda se vêem lado a lado com os tradicionais cornos, continuam a existir algumas sobreposições. Uma delas, herdada do antigamente, deve-se ao facto dos palitos não se saldarem numa diminuição proporcional de sofrimento. Ou seja, não dão uma mera dor de palito — dão à mesma, incontrovertivelmente, dor de corno. Não é mais carinhoso, por isso, pôr os «palitos» a alguém — continua a ser exactamente o mesmo que pôr os outros.
Tudo isto vem a propósito da forma atípica, entre os povos latinos, que assume o machismo português. Não se trata do machismo triunfalmente dominador, género «Aqui quem manda sou eu!», do brutamontes que não dá satisfações à mulher. Não — o machismo português, imortalizado pelo fado «Não venhas tarde», é um machismo apologético, todo «desculpa lá ó Mafalda», que alcança os seus objectivos de uma maneira mais eficaz. É, de facto, o machismo que, não só dá satisfações, como vive delas.
O machismo português é o machismo, não da força masculina, mas da fraqueza. Não consiste no homem armar-se em agressor, mas em vítima. O logro é este: o homem apresenta-se sempre à mulher como vítima da natureza «de homem», dele. Ser homem, para o machista português, é ser essencialmente fraco. É um não-ser-capaz de resistir às tentações; um envergonhado «já sabes como é, filha» que serve para legitimar todos os privilégios de que goza (aos quais chama «deslizes»). À mulher não se admitem estes abusos — os copos, as entradas às tantas da manhã, os romances — porque o homem português considera a mulher um ser superior. Como é superior — mais forte, mais séria, mais responsável, mais ajuizada — não tem, muito simplesmente, direito a nada.
O homem trata-a como se trata um deus. Julga que ela sabe tudo e, mesmo quando ele lhe mente, sabe que ela não se convence. Pensa também que ele pode tudo e é daqui que vem o medo enorme que lhe tem. E, tal como se faz com um deus, ele peca e pede perdão, mas sem perdoar em troca — porque um deus, por definição, não pode pecar. Se acaso uma mulher não corresponde a este comportamento divino, é logo considerada uma desgraçada, uma meretriz, uma sem-vergonha. Em suma: no fundo, uma criatura tão baixa e desprezível como um homem.
Logo, é a inferioridade do homem — infinitamente confessada, declarada e propagandeada — que lhe impõe o direito de pecar e ser perdoado, e a superioridade da mulher que lhe confere a obrigação de perdoar. O homem, no machismo português, é pouco mais que uma pilha imponente e irresistível de vulnerabilidades. As outras mulheres atraem-no sempre contra vontade, e ele, coitado, não se consegue defender e vai-se instantaneamente abaixo. Como cantava o Carlos Ramos «Tu sabes bem que eu vou para outra mulher, que eu só faço o que ela quer...». A mulher, cheia de uma compreensão indistinguível da santidade, vê-o da janela, coração a sofrer de amor e de piedade, e apenas lhe pede («com carinho») que não venha tarde, «sabendo que ele vem sempre mais tarde». É este o machismo estritamente português, a meio-caminho entre o «Desculpem qualquer coisinha» e o «Era uma vez um rapaz». Nunca diz, à castelhana, «Quero e posso!»; nem disfarça, à italiana, dizendo «Posso mas não quero». Não. Diz, muito à portuguesa «Não quero, mas o que é que tu queres?, é o que posso...». O homem português nunca tem culpa. Arrepende-se sempre, mas não tem culpa porque não consegue deixar de fazer (por muito que não tente) as coisas que lhe apetece imenso fazer. A mulher, em contrapartida, tem quase sempre culpa. Tem, por exemplo, a culpa de atrair o homem, não porque o queira atrair (o querer ou não é irrelevante), mas, simplesmente, porque é mulher, e ele é homem, e não há absolutamente nada a fazer...
O machismo português não é afirmativo e orgulhoso frente à mulher. É um machismo conjuntivo — «Eu bem gostaria de ser fiel, mas...», ou «Eu bem gostaria de passar mais tempo em casa, mas...», ou ainda «Eu bem gostaria de não ser como sou, mas...». É esse «mas» que torna o machismo português diferente — não é tanto de macho como de «mas», não é tanto um autêntico machismo como um masismo. Ele não é senhor do seu destino, como ela é do dela (e do dele). As coisas acontecem-lhe, ele bem tentou; foi uma coisa que lhe deu, ele nem sequer deu por ela, e, pronto, «o que é que tu queres, filha?», aconteceu...
A relação entre o homem português e a mulher é vista (pelo homem), como a relação que tem cada um com a sua consciência. E, ao passo que cada um pode andar na boa vai-ela (e depois penitenciar-se), o mesmo não se imagina (nem consente!) à consciência. E, o mais engraçado de tudo, é que a mulher que «sabe tudo», até isto sabe. Ou seja: sabe perfeitamente que esta do «Tu sabes bem...» é pouco mais que uma excelente treta que os homens propagam para poderem pensar que se divertem mais do que as mulheres. O que torna a mulher portuguesa ainda mais superior. Claro.
Tudo isto para regressar, sem dor, à questão dos palitos. A tese central, criação única do machismo português, é esta: É muito fácil pôr os palitos a um homem (basta a mulher olhar para outro), mas é quase impossível pôr os palitos a uma mulher (porque nunca se consegue enganar a consciência). Um homem pode ser, por dá-cá-aquela-palha, um «corno manso», o que é muito pior que ser um corno selvagem ou só semicivilizado. Mas não existe, na língua, correspondência para o sexo feminino. Os palitos são uma coisa terrível que as mulheres podem pôr aos homens mesmo sem chegar a pô-los; mas que os homens nunca podem pôr às mulheres, por muito que lhos ponham. Nesta vantajosa lógica, bastante mais complexa e respeitosa do que aquela que anima outros machismos menos atlânticos, se encontra a alegria e a tristeza do autêntico macho português — aquele que vem sempre mais tarde, mas cada vez mais cabisbaixo. "
Miguel Esteves Cardoso, in 'A Causa das Coisas'
A Rir e a Brincar
Cruzamos um olhar, palavras não houveram
Somente o coração falou por nós os dois
E disse coisas lindas que os lábios não disseram
Nenhum de nós teve culpa
De me quereres e eu te querer
Eu olhei e tu olhaste
Eu gostei e tu gostaste
E nada mais sei dizer;
Que importa que o mundo fale
Maldizendo o nosso amor
Se ele fala, tem razão
É sinal que esta paixão
Sempre tem algum valor
Falar sem saber não chega a ser falar
Não chega a ser dizer, só fala quem não sente
Ou não sabe sentir o que é um grande amor
Que nasce dentro em nós e morre com a gente
Letra da música "A Rir e a Brincar"
Fernado Farinha/Miguel Ramos
Reportório de Maria Amélia Proença
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